sexta-feira, 5 de julho de 2013

Férias e dicas de cinema






Sempre tiro minhas férias em julho. Antes, quando meus filhos eram crianças, eu aproveitava para curtir ainda mais a proximidade com eles e dar uma folga para minha esposa. Usava-os como desculpa para ver os desenhos animados, passeávamos no shopping RioSul, jogávamos vídeo game e aproveitávamos o friozinho carioca para acordar mais tarde e ficar horas embaixo do cobertor. Depois, o tempo passando, criamos o hábito de ir ao Anime Friends em São Paulo sem abrir mão do cinema e do shopping. As crianças cresceram, passaram a trabalhar, não há mais a coincidência de nossas férias em julho e esse ano em particular, por um acúmulo  de serviço preferi adiar minhas férias para agosto.
Hoje senti saudade desses tempos e vendo as estréias  da semana fiquei meio arrependido de ter adiado minhas férias. Tem de tudo um pouco e quem gosta da sétima arte pode escolher entre várias opções. 
O primeiro filme que me chamou a atenção chama-se "Dossiê Jango" que mira na hipótese de que João Goulart não teria morrido de um ataque cardíaco e sim assassinado pela ditadura brasileira no contexto da Operação Condor. Se formos pensar bastante a respeito, vemos que ha uma coincidência no mínimo estranha:  João Goulart, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o ex-governador Carlos Lacerda morreram no intervalo de apenas nove meses. 
O segundo filme que me atraiu é "Hanna Arendt". Essa filósofa alemã, de origem judaica assombrou o mundo quando publicou um livro chamado "Eichmann em Jerusalém" e indo contra a quase totalidade da opinião pública, não via no exterminador de judeus e arquiteto da "Solução Final " um demônio ou um monstro assassino. Descreveu-o simplesmente como uma pessoa normal,  um burocrata típico, que apenas cumpria ordens e tentava fazer da melhor maneira possível, criando um termo genial: a "banalização do mal". A opinião pública voltou-se contra ela, afinal de contas, precisamos demonizar uma personagem como Eichmann e consderá-lo humano e normal nos colocava, a todos, no mesmo patamar e isso é chocante!
Hanna havia perdido a nacionalidade alemã em 1937 por conta de sua oposição ao Reich; em 1951 havia conseguido a nacionalidade americana, mas devido às polêmicas iniciadas pelo seu livro, foi obrigada a fugir dos EUA. Deve ser um filme bem legal...
Outro filme que está me chamando a atenção é "Truque de Mestre". Uma trama intrincada, suspense e final surpreendente é tudo o que eu mais curto. Espero não me arrepender. 
Por último, hei de ver "Meu Malvado Favorito 2". Aqueles bonequinhos amarelinhos, chamados Minions (Jagunços, numa tradução literal), são sensacionais; as três órfãs são encantadoras e o Supervilão Gru formam um grupo genial com gargalhadas garantidas para quem tem uma criança dentro de si. E eu tenho até uma tatuada em minhas costas...


quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Desculpa não passa dor"


Outro dia meu marido presenciou uma tentativa frustada de roubo de uma garrafa de bebida num supermercado carioca. Pego em flagrante o gatuno devolveu a garrafa e ia tentando sair de fininho quando foi detido pelos seguranças. Inconformado, alegou que aquilo não era necessário pois já havia devolvido o produto.
Ao ler a matéria da "Folha de São Paulo" - que denunciou o uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pelo o presidente da Câmara dos Deputados, José Eduardo Alves (PSDB-RN), para conduzir um grupo de amigos e familiares de Natal-RN ao Rio de Janeiro a fim de assistir a final da Copa das Confederações -  lembrei imediatamente do gatuno do supermercado. José Eduardo Alves (foto) quando descoberto se desculpou, prometeu ressarcir a União e saiu de fininho.
Como??? Então, agora vai ser assim. Eu tento roubar. Se conseguir, maravilha. Caso contrário, devolvo o produto e volto à normalidade. O ladrãozinho de bebida foi conduzido à delegacia, enquanto isso o ilustre deputado voltou a cumprir sua agenda normalmente.  
E ai depois ainda tem gente que não sabe porque o povo foi para a rua?


terça-feira, 2 de julho de 2013

Madagascar 3


Sinopse:

Os amigos Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer), Gloria (Jada Pinkett Smith), rei Julien (Sacha Baron Cohen) e os pinguins deixam o continente africano rumo à Europa. Eles vão parar em Mônaco, onde passam a ser perseguidos por uma obcecada agente de controle animal (Frances McDormand). Em plena fuga, o grupo encontra abrigo em um circo em crise. Logo eles passam a ajudá-lo, iniciando um processo de revitalização que poderá levá-los a uma turnê nos Estados Unidos e, consequentemente, de volta para casa.

Crítica:

Não fazia parte do plano eu assistir a essa animação (não sou especialista em animações 3D), mas fiquei surpreendido e acabei gostando. O que mais me fez rir em Madagascar 3, como nas outras duas animações da série, foram os Pinguins. Eles roubam a cena e podem ser considerados coadjuvantes de luxo. Caso não houvesse eles na animação, Madagascar seria apenas mais uma animação dentre tantas outras. Já está na hora da turma dos Pinguins sair em carreira “solo”.

Nota do filme: 7,0

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Vamos parar com essa palhaçada e respeitar a seleção


É impressionante como algumas pessoas ainda acreditam que determinados resultados ou campeonatos de futebol foram comprados. A mais nova “compra” foi a Copa das Confederações vencida pelo Brasil. Já ouvi de tudo um pouco, mas quase ninguém creditou a vitória da seleção Brasil a competência dos jogadores.

            A Espanha, atual campeã da Copa do Mundo, levou um baile do Brasil no domingo. Isso foi determinante para que algumas pessoas suspeitassem do resultado: “Ah, isso só pode ter sido comprado. Vejam como a Espanha não jogou nada.”, diziam alguns. Ora, a seleção não poderia ter acabado com o famoso tic-tac da seleção espanhola, aquele toque de bola ridículo e inútil? Não poderíamos anular seus principais jogadores? Não teríamos competência para derrotar os espanhóis? Não, não teríamos condições de vencer a seleção da Espanha, já que nosso país tem o futebol parecido com o Taiti e somente a famosa mala preta resolveria nossos problemas.

            Minha gente, vamos deixar de lado essa “estória” de compra de campeonato. Se você acredita mesmo que isso existe no futebol, vá acompanhar outro esporte. Não perca tempo assistindo a um esporte que o resultado já é combinado com a equipe adversária. A Espanha não queria mesmo vencer o Brasil, correto? Ela abriu mão de uma invencibilidade de quase 30 jogos, de um título inédito somente para ficar com a grana. Vocês acreditam mesmo nisso?

            Vamos parar com essa palhaçada e respeitar a seleção brasileira. Temos 5 títulos mundiais e a Espanha só tem 1. Nossa seleção veio “capenga” para a Copa das Confederações, mas sempre, sempre somos favoritos ao título. Alguém ainda duvida disso?

***

            E o Neymar arrebentou ontem, não é mesmo? E olha que tem gente que diz que o nosso atacante não joga nada. Quem disse isso são as mesmas pessoas que acreditam na teoria da conspiração da compra dos torneios.

Neymar já levantou um caneco com a seleção brasileira, o Messi ainda não conseguiu isso com a seleção argentina. Quem será o melhor do mundo daqui pra frente?

***


            A pergunta que não quer calar: Alguém viu o Iniesta no domingo?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O despertar de uma nação

As manifestações das últimas semanas em todo o país ainda repercutem. Analistas políticos, mídia, políticos, e autoridades ainda tentam entender o que está acontecendo. Muitos acusam o movimento de não ter foco, em função das revindicações variadas e tentam questionar a validade do movimento.Vivemos numa sociedade multifacetada, em que realizamos várias tarefas ao mesmo tempo, temos vários interesses. Características próprias da contemporaneidade, então porque seria diferente com um movimento popular? Por quê deveríamos nos concentrar numa pauta de cada vez? 

O que motivou milhares de pessoas em cantos tão distintos do país para ganharem a rua não foi um motivo pontual. Foi uma insatisfação latente com o rumo que o Brasil está tomando. Há anos deixamos de ser o país do futuro, visto que o futuro chegou. Então, até quando conviveremos com uma saúde e educação pública precárias, com políticos corruptos, com tanta desigualdade social que permite que num mesmo Estado haja lugares tão distintos como Leblon e Japeri?

A redução da tarifa dos transportes, a anulação da PEC 37 e o fim da corrupção política são pedidos em comum. Os dois primeiros já foram atendidos. E o terceiro ganhou concretude ontem com a aprovação de  um projeto de lei pelo Senado que pretende tornar a corrupção um crime hediondo.

O Rio de Janeiro é a cidade, até o momento, que mais mobilizou pessoas. Acredito que alguns acontecimento recentes foram a gota d'água para os cariocas. A agressão física do prefeito Eduardo Paes, a um cidadão após receber duras críticas a seu governo. O aumento da tarifa dos transportes públicos, sobretudo, do ônibus. E os mandos e desmandos do prefeito na rotina da cidade para a Copa das Confederações. Isso tudo aliado ao fato de que sediaremos mais dois grandes eventos esportivos: Copa do Mundo e Olimpíadas, bem como a Jornada Mundial da Juventude foram o estopim para explodir uma onde de insatisfação. 

O carioca está sitiado em sua cidade. A sensação é de que nós tiraram de nossa casa para arrumá-la para a chegada de uma visita super importante, mas até do que o morador da casa, seu verdadeiro dono. Ninguém nos perguntou se queríamos recebê-la. Ninguém nos explicou o que seria preciso fazer para agradá-la e muito menos o quanto iríamos gastar com sua estada. Enfim, cansamos de ser expectadores.

Deve ser assustador para algumas pessoas, que faturam muito com a situação, assistir a população deixar de lado desejos pessoais para lutar por causas coletivas. Deve ser assustador para os políticos serem rejeitados sumariamente. Deve ser assustador para a mídia perceber que as redes sociais também servem para informar. É assustadoramente maravilhoso para a sociedade compreender o poder que possui. 

Torço para que esse ímpeto seja mantido para sempre. Que nos motive a acompanhar a vida política como  ao Campeonato Brasileiro de Futebol. Que nos faça refletir sobre qualquer ação que possa ser permissiva com qualquer forma de corrupção da carteirinha falsificada até o desvio de verbas. Que nos mobilize constantemente a lutar por nossos direitos. Que nos ensine o significado de cidadania.

Acabou a farra, o povo voltou!


terça-feira, 25 de junho de 2013

O Artista


Sinopse:

Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão?

Crítica:

A ideia não é nova (fazer um filme mudo), mas quem pensou em fazer isso em tempos de filmes coloridos e sonoros? O Artista recria toda a magia dos antigos filmes mudos e nos dá uma lição de que é preciso se adaptar aos novos tempos. Nosso astro, George Valentin, não acredita que filmes com som vá fazer sucesso e que nunca será esquecido. Ele acaba se tornando um artista “obsoleto” e não sabe como fazer para se adaptar aos novos tempos. Quem está no topo hoje pode não estar amanhã caso não queira dar ouvidos as novas ideias.


Nota do filme: 9,0


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Como assim não conseguem entender?


Ultimamente estamos sendo bombardeados com informações sobre as manifestações que acontecem no nosso país. Basta chegarmos em casa e ligarmos a TV para assistirmos milhares e centenas de imagens e opiniões sobre o movimento “vem pra rua”, que é como eu gosto de chamá-lo. O que me chamou atenção foi o que alguns colunistas andaram escrevendo sobre as manifestações. A grande maioria diz “não entender” o que a população exige nas passeatas. Como assim não conseguem entender?

            Será que esses colunistas vivem em marte? Não será possível que não conseguem compreender que a passeata vai muito mais além de 0,20 centavos? Estamos indo para as ruas para protestar contra o aumento de 0,20 centavos na passagem, mas também estamos protestando contra o péssimo sistema de transporte urbano, contra a corrupção, contra a situação dos nossos hospitais, das nossas escolas e do nosso salário mínimo baixíssimo.


            Essas pessoas não conseguem compreender isso por que não andam de ônibus, não precisam buscar atendimento médico através do SUS, nunca estudaram em escolas e colégios públicos. Assim realmente não dá pra entender o que os manifestantes exigem. Esses “burros” que não compreendem do que se trata a manifestação só irá um dia se manifestar quando houver um aumento absurdo dos impostos, a gasolina subir a níveis exorbitantes de valor, o preço do plano de saúde triplicar de três em três meses. Aí sim esse povo irá às ruas se manifestar e nós, pobres usuários dos serviços públicos, talvez não iremos compreender o que levaram toda essa turma engravatada as ruas.